quinta-feira, 27 de agosto de 2009

O Beijo


…“ A boca não é apenas o que come, absorve, dá (salivar, lamber), é também a via de passagem do sopro, o qual corresponde a uma concepção antropológica da alma.

O Beijo na boca, que o Ocidente popularizou e mundializou, concentra e concretiza o encontro inaudito de todas as forças biológicas, eróticas, mitológicas da boca. Por um lado, o beijo que é um analagon da união física, do outro, a fusão de dois sopros que é uma fusão das almas.

A boca torna-se qualquer coisa absolutamente extraordinária, aberta sobre o mitológico e o fisiológico. Não esqueçamos que esta boca fala, e o que tem de muito belo é que as palavras de amor são seguidas de silêncios de amor.

(…)

Então o que é o Amor?

É o auge da união da loucura e da sabedoria.

Como esclarecer isto? É evidente que é o problema que enfrentamos na nossa vida, e não existe nenhuma chave que permita encontrar uma razão exterior ou superior. O amor traz, precisamente, esta contradição fundamental, esta co-presença da loucura e da sabedoria.”


Edgar Morin. Amor Poesia Sabedoria

Oh, que coisa boa essa união de almas.

A todos, Liberdade de Consciência!

Pierre Mattos

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Os Sentimentos de um Homo Complexus



Edgar Morin quando fala do homo Complexus diz:

“se o homo é, ao mesmo tempo sapiens e demens, afetivo, lúdico, imaginário, poético, prosaico, se é um animal histérico, possuído por seus sonhos e, contudo, capaz de objetividade de cálculo, de racionalizadade, é, portanto, homo complexus.[...] A bipolaridade homo sapiens-demens­ exprime aos extremos a bipolaridade existencial das duas vidas que tecem as nossas vidas, uma seria utilitária, prosaica, a outra seria lúdica, estética, poética. A brecha entre o real e o espírito humano [mente].
O ser humano é bipolarizado entre demens e sapiens. Mais ainda, está sapiens em demens e demens em sapiens, em yin yang um contendo o outro.
[...]
... é o paradoxo da riqueza, da prodigalidade, da infelicidade da felicidade do homo sapiens-demens

(O Método 5 - Humanidade da Humanidade p.140-1)

Seres humanos são tão complexos que são racionais e loucos ao mesmo tempo. São racionais e irracionais. Querem amar e não querem amar. Sentem amor e ódio pela mesma pessoa, no mesmo momento.
Por causa de o sapiens conter – no sentido matemático de conjunto - demens e demens conter – também no sentido matemático de conjunto – sapiens, é que não compreendo no homo.
Até compreendo quando ama e não quer amar. Isso porque amar requer entregar, é estar disposto a sofre, Nietzsche já percebeu isso. Logo, a pessoa não quer amar, mesmo assim ama.
Agora, como compreender amar e odiar ao mesmo tempo. Sentir afeto e raiva. Querer estar perto e querer estar longe? Que paradoxo terrível, somente sendo o homo complexus, mesmo! Eis a bipolaridade do espírito/mente!

A Todos os Homo Sapiens-Demens, Liberdade de Consciência!

Pierre Mattos

domingo, 31 de maio de 2009

Meu Momento de Estética!

Como não tive meu momento de estética hoje, pois não fui a igreja pela manhã, terei agora com a Vanessa da Mata.

Quando um homem tem uma mangueira no quintal

Vanessa Da Mata

Quando um homem tem uma mangueira no quintal
Ele não é goiaba
Deixa ele lhe mostrar
Bom dia, boa tarde!
No seu pomar

Ele não é goiaba
Deixa ele lhe mostrar
Bom dia, boa tarde!
No seu pomar
"O que há de mal"

Poder brincar de amar
Sem pensar no amanhã
Sem nenhuma vergonha
Numa cara de pau
Aproveitar um samba
Numa tarde vazia
Ter um siricotico
Ter uma aventura

Quando um homem tem uma mangueira no quintal
Ele não é goiaba
Deixa ele lhe mostrar
Bom dia, boa tarde!
No seu pomar
"O que há de mal"

Poder sair do sério
Sair de um velho tédio
Chuchu não é laranja
É só não misturar

Beijo na sua boca
Atrás da bananeira
E nessa boa moita
Assanhada demais

Quando um homem tem uma mangueira no quintal

Corre pra ver,
Se é de olhar, se derreter
Se de repente pode ser
Se este instante lhe chamar
Viva, tenha
Corre pra ver
Se é gostoso, porque não
Se é bem bom pro coração
A gente vai pra ser feliz
Viva, tenha
Corre pra ver
Se é melhor se derreter
Se de repente pode ser
Se este instante lhe chamar
Viva, tenha
Corre pra ver
Se é gostoso, porque não
Se é bem bom pro coração
A gente vai pra ser feliz
Viva, tenha

Quando um homem tem uma mangueira no quintal


Será que é bom ter uma mangueira (árvore porque também pode ser uma mangueira d´água) no quintal?
Não faço a mínima ideia do que seja, ou qual seja, o significado das palavras e o jogo que elas formam na música, por isso digo que é um momento de estética. Ouço coloco meu pensamento lá, tomo posso dos significados, as filosofias que quero e pronto estou feliz!
Assim, muitos fazem com textos bíblicos, isso proporciona um belo momento de estética, pois me leva a ter um momento comigo mesmo. Mas se o objetivo dos textos biblicos é levar alguém a uma prática, está correto fazer eisegese?
A Todos Liberdade e Consciência!
Pierre Mattos

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Depois da Religião


Desde o primeiro momento em que esse livro foi deslumbrado pelos meus olhos fique a imaginar e ainda imagino a problemática que o livro,'Depois da Religião: O que será do homem depois que a religião deixar de ditar a lei?', trás.


Não resisti e comprei-o no mesmo dia, li assim que cheguei em casa (isso a um ano atrás).

Gostei, me apaixonei! Ler dois pensadores Luc Ferry e Marcel Gauchet debatendo a questão de Deus, Divino, Religião, Sociedade, confesso que muito proveitoso.

Tudo que li me leva a pensar em que a Religião é necessária?

A Religião não é mais necessária, pois como perguntou Marcel Gauchet a Luc Ferry na página 61 "Mas qual a relação entre divino e Deus?

A mente do homem do século XXI é mística e não dogmática, precisamos compreender que o relacionamento com qualquer tipo de transcendente é uma relação mística, no entanto não necessita de mediadores/mediação, da religião.

A Religião só é necessária quando cumpre um papel social de levar os humanos a se tornarem mais humanos, respeitando e compreendendo a diferença que há eles. E ajudando os mutuamente. Mas como a Religião não anda fazendo isso, sinto muito, mas terei que avisa-la que não é mais necessária a sua existência.

Quiçá os detentores dos poderes religiosos não compreendam isso e mudem, para a religião volte a ser necessária.

Respondendo a pergunta o livro trás digo: O mundo será melhor quando as LEIS não forem ditadas pela religião, porém o medo que tenho é jogarmos o bebê fora junto com a água, pois o mito é necessário no imaginário humano.

Que a sociedade formule as suas leis! Sou à favor de UM ESTADO LAICO!, DE FATO Mas que preservemos nossa mística e nossos mitos.

A Todos, Liberdade de Consciência!

Pierre Mattos

terça-feira, 26 de maio de 2009

As Liberdades do Espírito e a Questão do Absoluto


Quando estava lendo o texto da Viviana em La Vita in Diretta ou Como Falar do Mundo lembrava deste trecho de Edgar Morin.


Quando alguns deixam de estar submetidos as ordens, mitos e crenças impostos e tornam-se, enfim questionadores começa a liberdade de espírito.


A liberdade de espírito é alimentada e fortalecida:


- pelas curiosidades de espírito e pelas aberturas ao exterior (do que é dito, conhecido, ensinado, recebido);

- pela capacidade de aprender por si mesmo;
- pela aptidão de problematizar;
- pela prática de estratégias cognitivas;
- pela possibilidade de verificar e de eliminar um erro;
- pela invenção e pela criação;
- pela consciência reflexiva, ou seja, a capacidade do espírito [mente] de se auto-examinar e, para o individuo, de se autoconhecer, autopensar e autojugar;
- pela consciência moral


(Edgar Morin, O Método 5 – A Humanidade da Humanidade p. 282-3)

Viviana,
Quando você escreve o seus texto “Absolutos Questionáveis”e “Ponto de Vista”, você busca a liberdade que é expressada pela consciência reflexiva, ou seja, a capacidade do espírito [mente] de se auto-examinar e, do individuo, de se autoconhecer, autopensar e autojugar. Isso é o que a Igreja, Sistema, Política, Ideologia, Ortodoxia, Media não quer que aconteça, pois, assim, você é livre e não há como eles te manipularem, por isso eles são contra.


Viviana disse: “...todos os absolutos são questionáveis. Isto é algo muito perigoso de dizer, visto que a igreja se fundamenta em absolutos. ‘Isso é pecado por...’ e vem um monte de absolutos. ‘Você não pode fazer desse jeito, porque...’ e vêm mais absolutos.

[...]

Quando a verdade se apregoa como absoluta, se excluem todas as outras. Porém, há no mundo mais do que um ponto de vista, e há assim mesmo mais de uma verdade absoluta.
Eu só digo que decidi pensar diferente. Questionar as coisas faz com que a liberdade cresça verdadeiramente. É difícil, mas vale a pena. Ter a liberdade de opinar, de pensar o que vai mais de acordo com meus razoamentos, é muito melhor do que seguir as razões de outros.”


Concordo com você, Viviana, só acrescentaria que NÃO HÁ ABSOLUTOS UNIVERSAIS. Apenas absolutos pessoais! O que é absoluto para mim é para você?


Parabéns, Viviana, por seu texto foi um prazer lê-lo! Continue com a sua Consciência Livre!


Que Todos Tenham a Consciência Livre!


Pierre Mattos

domingo, 24 de maio de 2009

Nascimento: Um passo para a Morte, Uma Tragédia!


Há 22 anos atrás um bebê que estava no útero de sua mãe decidiu sair para a vida.
Mal sabia ele o quanto a vida era complexa, talvez se soubesse não teria nascido, mas também não teria ficado no útero de sua mãe, pois ali não era um lugar seguro para aquele bebê, como nunca o fora...

No inicio, quando o corpo de sua mãe começou a entrar em trabalho de parto este bebê, diferente de todos os outro, queria sair, nem precisou de muita insistência do corpo da mulher que o parira.

Então as 14h e 25 minutos de um domingo -assim como agora -, este domingo era 24 de Maio de 1987, não sei se chovia, se tinha sol ou se estava nublado, no Hospital das Clínicas de Teresópolis -HCT- nasceu. Era um menino, não sei como era seu físico, só posso afirmar que moreninho...

E, assim, deu o seu primeiro passo para a morte!

Essa é tragédia da vida: nascer para morrer. Ficar a beira do abismo e esperar o momento certo de cai/se jogar.
Viver é subir o mais alto monte e se jogar para a morte!

Há 22 anos atrás me joguei no abismo da vida e hoje estou caindo ainda, porém sabendo que a qualquer momento me chocarei com solo e com toda a velocidade, deste modo será o fim, a morte. E conhecerei a face da vida que está virada para as trevas.

A Todos, Liberdade de Consciência!

Pierre Mattos

quarta-feira, 20 de maio de 2009

A Bíblia Não Tem Inspiração Divina, Bart Ehrman, diz


Hoje repasso uma entrevista que saiu na Época no inicio do mês de maio que achei bem legal e creio que tem apontamentos importantes.



POLÊMICA


Ehrman afirma que apenas oito dos 27 livros no Novo Testamento foram escritos pelos autores aos quais são atribuídos


O americano Bart Ehrman cresceu em uma família religiosa e, quando adolescente, havia se tornado um evangélico fervoroso. O interesse pela Bíblia e por sua história o acompanhou a vida toda e hoje, após 35 anos de estudo, diz ter abandonado o Cristianismo por não acreditar que Deus poderia estar no “comando de um mundo cheio de dor e sofrimento”. Professor de estudos religiosos na Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill, Ehrman já escreveu 21 livros sobre religião, incluindo Verdade e Ficção em O Código Da Vinci, sobre o best-seller de Dan Brown, e O que Jesus Disse? O que Jesus Não Disse? – Quem mudou a Bíblia e por quê, que figurou entre os mais vendidos na lista do jornal The New York Times. Agora, em Jesus, Interrupted (ainda sem tradução), que será lançado no Brasil no segundo semestre, Ehrman tenta revelar as contradições da Bíblia, que provam, segundo ele, que o livro não foi enviado à humanidade por Deus.


ÉPOCA – De um tempo para cá temos visto um crescimento do número de títulos com críticas às religiões. O que está motivando os leitores?

Bart Ehrman – Há uma reação contra a direita conservadora do mundo religioso. Aqui nos Estados Unidos há vários líderes desse tipo que tiveram muita atenção da mídia por muito tempo, e as pessoas que estão do lado esquerdo deste espectro começaram a se incomodar. Muitos desses livros escritos por essas pessoas chamadas de "neoateístas" são uma representação deste movimento.


ÉPOCA – Alguns dos principais representantes do "neoateísmo" são Sam Harris e Richard Dawkins. Em um artigo recente da revista Time, o senhor reconheceu que compartilha leitores com eles. Mas o senhor se considera parte deste movimento?

Ehrman – Não me considero um ateu e não acho que estou fazendo a mesma coisa que esses autores. Eles têm feito coisas boas, mas estão atacando a religião sem conhecer muito. Quando eu escrevo, faço isso como alguém que já esteve profundamente envolvido com a Cristandade, mas que agora a rejeitou. Por isso, a minha perspectiva é completamente diferente.


ÉPOCA – O que fez o senhor passar de um fiel cristão a um “agnóstico feliz”?

Ehrman – Fui criado na Igreja Protestante e fui um cristão muito ativo por vários anos. Mas eu deixei a cristandade não por conta dos meus estudos históricos sobre a Bíblia, mas por não conseguir mais acreditar que poderia haver um deus no comando deste mundo cheio de dor e sofrimento.


ÉPOCA – Qual é o motivo de o livro se chamar Jesus, Interrupted [em tradução livre: Jesus, interrompido]? Quando e como ele foi interrompido?

Ehrman – O título significa que há inúmeras vozes diferentes falando no Novo Testamento. São autores diferentes, que possuem pontos de vista diferentes e que, muitas vezes, são conflitantes. Com tantas vozes assim falando no mesmo livro, muitas vezes é impossível escutar a voz do Jesus histórico, porque ele foi interrompido por outras pessoas.


ÉPOCA – E é possível definir qual é a maior contradição da Bíblia?

Ehrman – São muitas discrepâncias, mas é possível destacar duas. O apóstolo Paulo, por exemplo, acha que a pessoa chega a Deus apenas pela fé, e não pelo que faz. No capítulo 24 de Mateus, no entanto, nós lemos que boas ações levam ao reino dos céus. Essas duas visões são excludentes em um assunto determinante, que é a salvação. Também há visões diferentes sobre quem era Jesus. No evangelho de João, Jesus é Deus, mas nos textos atribuídos a Marcos, Mateus e Lucas não há nada sobre isso. No evangelho de Mateus fica claro que ele acredita que Jesus é um ser humano, e que é o Messias. A Igreja acabou juntando essas duas visões, de que ele é humano e divino, e criou um conceito que não está escrito nem em João e nem em Mateus.


ÉPOCA – O senhor acha que essas discrepâncias fazem da Bíblia uma história falsa?

Ehrman – Eu diria que os diferentes autores da Bíblia tem versões diferentes da história e por isso é errado tentar fazer com que eles digam a mesma coisa. Há muitos erros na Bíblia e, mais importante que isso, há diferentes pontos de vista teológicos e isso precisa ser reconhecido.


ÉPOCA – Desde quando a Bíblia começou a ser questionada? De que maneira isso enfraquece a Cristandade?

Ehrman – As pessoas só começaram a notar essas diferenças na época do Iluminismo, no século XVIII. Antes disso, os estudioso da Bíblia eram teologicamente comprometidos com ela e não imaginavam que poderia haver erros. Essas descobertas são problemáticas especialmente para quem acredita que a Bíblia foi entregue a nós diretamente por Deus. Se isso ocorreu, por que não temos a Bíblia original? Por que temos apenas manuscritos escritos mais tarde e que não são iguais? Essas diferenças mostram que não existe um livro com inspiração divina que foi entregue a nós.


ÉPOCA – E como isso afeta especificamente a Igreja Católica?

Ehrman – Existem estudiosos na Igreja Católica que concordam com quase tudo o que está escrito em Jesus, Interrupted. Mas na tradição católica a fé nunca foi sobre a Bíblia, mas sobre os ensinamentos da Igreja e sobre acreditar que Jesus é o filho de Deus. E isso não muda se a pessoa perceber ou não os erros da Bíblia. É bem diferente do fundamentalismo cristão que é tão poderoso onde eu vivo, no sul dos Estados Unidos. Aqui as pessoas acham que você só poder ser cristão se acreditar totalmente na Bíblia.


ÉPOCA – Alguns críticos do seu trabalho, especialmente o líder evangélico James White, dizem que você quer destruir a fé cristã. O que você acha disso?

Ehrman – Estou tentando destruir o tipo de fé cristã de James White! (risos). Mas na verdade nada que eu faça pode destruir o Cristianismo. O problema é que há um certo tipo de fé cristã que diz que a Bíblia não tem erros e é infalível, e eu não concordo com isso. Eu não sou o único que pensa assim. As opiniões que estão descritas no meu livro são as mesmas da maioria dos estudiosos da Bíblia há muitas e muitas décadas, mas eles não costumam falar disso em público. Meu livro apenas pega o que os estudiosos dizem há muito tempo e torna disponível para os leitores normais.


ÉPOCA – Você recebeu muitas críticas de leitores por conta do livro?

Ehrman – Recebi e-mails de pessoas bravas e sei que na internet há muita gente contrariada. Dizem que quero destruir sua fé, que sou o anti-Cristo. Mas a maior parte dos que escreve ficou grata pelo livro e feliz por eu ter dito essas coisas, já que suspeitavam desses erros, mas não tinham base teológica para questionar a Bíblia.
Eu compartilho esse pensamento com ele de que a Biblia não é inspirada. Quem sabe um dia não direi também que sou um "Agnóstico Feliz".
Pierre Mattos
A Todos Liberdade de Consciência!