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terça-feira, 29 de março de 2011

O Pequeno Príncipe e a Raposa - Antoine de Saint-Exupéry

Umas das obras que mais marcou a minha via foi o Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry , sempre me disse muito a cada palavra e frase que eu lia. Por isso resolvi postar o Cap. XXI (Dialogo entre o Pequeno Príncipe e a Raposa), que é o um dos capítulos mais lindo.

Boa Leitura!

"E foi então que apareceu a raposa:

- Boa dia, disse a raposa.

- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada.

- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira…

- Quem és tu? perguntou o principezinho. Tu és bem bonita…

- Sou uma raposa, disse a raposa.

- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste…

- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.

- Ah! desculpa, disse o principezinho.

Após uma reflexão, acrescentou:

- Que quer dizer "cativar"?

- Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?

- Procuro os homens, disse o principezinho. Que quer dizer "cativar"?

- Os homens, disse a raposa, têm fuzis e caçam. É bem incômodo! Criam galinhas também. É a única coisa interessante que fazem. Tu procuras galinhas?

- Não, disse o principezinho. Eu procuro amigos. Que quer dizer "cativar"?

- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços…"

- Criar laços?

- Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo…

- Começo a compreender, disse o principezinho. Existe uma flor… eu creio que ela me cativou…

- É possível, disse a raposa. Vê-se tanta coisa na Terra…

- Oh! não foi na Terra, disse o principezinho.

A raposa pareceu intrigada:

- Num outro planeta?

- Sim.

- Há caçadores nesse planeta?

- Não.

- Que bom! E galinhas?

- Também não.

- Nada é perfeito, suspirou a raposa.

Mas a raposa voltou à sua idéia.

- Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo…

A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:

- Por favor… cativa-me! disse ela.

- Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.

- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer alguma coisa. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!

- Que é preciso fazer? perguntou o principezinho.

- É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto…

No dia seguinte o principezinho voltou.

- Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração… É preciso ritos.

- Que é um rito? perguntou o principezinho.

- É uma coisa muito esquecida também, disse a raposa. É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo, possuem um rito. Dançam na quinta-feira com as moças da aldeia. A quinta-feira então é o dia maravilhoso! Vou passear até a vinha. Se os caçadores dançassem qualquer dia, os dias seriam todos iguais, e eu não teria férias!

Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:

- Ah! Eu vou chorar.

- A culpa é tua, disse o principezinho, eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse…

- Quis, disse a raposa.

- Mas tu vais chorar! disse o principezinho.

- Vou, disse a raposa.

- Então, não sais lucrando nada!

- Eu lucro, disse a raposa, por causa da cor do trigo.

Depois ela acrescentou:

- Vai rever as rosas. Tu compreenderás que a tua é a única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te farei presente de um segredo.

Foi o principezinho rever as rosas:

- Vós não sois absolutamente iguais à minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativastes a ninguém. Sois como era a minha raposa. Era uma raposa igual a cem mil outras. Mas eu fiz dela um amigo. Ela á agora única no mundo.

E as rosas estavam desapontadas.

- Sois belas, mas vazias, disse ele ainda. Não se pode morrer por vós. Minha rosa, sem dúvida um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é, porém, mais importante que vós todas, pois foi a ela que eu reguei. Foi a ela que pus sob a redoma. Foi a ela que abriguei com o pára-vento. Foi dela que eu matei as larvas (exceto duas ou três por causa das borboletas). Foi a ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa.

E voltou, então, à raposa:

- Adeus, disse ele…

- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.

- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.

- Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.

- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa… repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.

- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa…

- Eu sou responsável pela minha rosa… repetiu o principezinho, a fim de se lembrar."


Lembre-se sempre da moral deste texto. Seja livre para cativar o coração da pessoa que você ama. Seja livre!

Liberdade de Consciência!

Pierre Mattos

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

A Existência em Si, Um Universo Fora de Mim

Até que ponto minha existência está interligada ao outro. Qual é o altruísmo da existência?

Existir? Esse é o primeiro problema. A Wikipédia me diz: “Existência é a qualidade de tudo que é real ou existe, e também a base de todas as outras coisas. Seus campos de estudo são principalmente a Metafísica (enquanto tratado o aspecto amplo do termo) e a Ontologia (do ser enquanto ser). Sartre foi um filósofo conhecido a tratar temas tais qual a existência, o nada e o ser.

Bem, vamos filtrar existência na ontologia – do ser enquanto ser.

E neste ponto que se chega que é impossível falar de outro (os). Porque a existência compete a mim. Logo, eu como senhor da minha vida, do meu futuro, dos meus desejos tenho a liberdade de fazer da minha existência o que bem entender. Correto? Espero que sim!

Com esse domínio eu posso dar fim nela quando eu bem entender. Agora, se a existênciacompete a mim, porque as famílias acham “fraqueza” “egoísmo” o suicídio?

Cada um trás em si um universo particular, um infinito particular que nunca vamos compreender. Que nunca vamos saber o que se passa. Absolutamente, um Universo Paralelo.

A dimensão da vida da vida do outro é indescritível fora dele, senão por ele.

E como já dizia Marisa Monte “Só não se perca ao entrar / No meu infinito particular

Tão particular que nos sentimos sozinhos mesmo estando acompanhados. Tão Infinito que estaremos só enquanto aqui vivermos.

Pois depois daqui, volta a ser o que era antes de estarmos aqui - NADA!


Liberdade de Consciência! Liberdade de Existência!


Pierre Mattos

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Sombras e Morte


Uma sombra é uma região escura formada pela ausência parcial da luz, proporcionada pela existência de um obstáculo. Uma sombra ocupa todo o espaço que está atrás de um objeto com uma fonte de luz em sua frente. (Dados: Wikipédia)

Seres humanos trazem em si as suas sombras. Sombras, regiões escuras, sejam sentimentais, psicológicas, físicas, de carater ou até mesmo de personalidade.

Essas sombras são formadas por objetos/motivos que muitas vezes são irremoviveis. Porém, o pior é quando o outro projeta uma sombra em sua vida...

O homem é espelho, é sombra, é pedra, é co-ajudador, é mal, é bem, é tudo, é nada, é vida....

MAS,


Também é MORTE!

Morte porque projeta suas sombras em seus semelhantes - se é que existe semelhante.
Morte porque não respeita os limites dos outros.

Morrer é aniquilar... Quantos já matamos hoje?

A todos, Liberdade de Consciência!

Pierre Mattos

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

O Beijo


…“ A boca não é apenas o que come, absorve, dá (salivar, lamber), é também a via de passagem do sopro, o qual corresponde a uma concepção antropológica da alma.

O Beijo na boca, que o Ocidente popularizou e mundializou, concentra e concretiza o encontro inaudito de todas as forças biológicas, eróticas, mitológicas da boca. Por um lado, o beijo que é um analagon da união física, do outro, a fusão de dois sopros que é uma fusão das almas.

A boca torna-se qualquer coisa absolutamente extraordinária, aberta sobre o mitológico e o fisiológico. Não esqueçamos que esta boca fala, e o que tem de muito belo é que as palavras de amor são seguidas de silêncios de amor.

(…)

Então o que é o Amor?

É o auge da união da loucura e da sabedoria.

Como esclarecer isto? É evidente que é o problema que enfrentamos na nossa vida, e não existe nenhuma chave que permita encontrar uma razão exterior ou superior. O amor traz, precisamente, esta contradição fundamental, esta co-presença da loucura e da sabedoria.”


Edgar Morin. Amor Poesia Sabedoria

Oh, que coisa boa essa união de almas.

A todos, Liberdade de Consciência!

Pierre Mattos

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Os Sentimentos de um Homo Complexus



Edgar Morin quando fala do homo Complexus diz:

“se o homo é, ao mesmo tempo sapiens e demens, afetivo, lúdico, imaginário, poético, prosaico, se é um animal histérico, possuído por seus sonhos e, contudo, capaz de objetividade de cálculo, de racionalizadade, é, portanto, homo complexus.[...] A bipolaridade homo sapiens-demens­ exprime aos extremos a bipolaridade existencial das duas vidas que tecem as nossas vidas, uma seria utilitária, prosaica, a outra seria lúdica, estética, poética. A brecha entre o real e o espírito humano [mente].
O ser humano é bipolarizado entre demens e sapiens. Mais ainda, está sapiens em demens e demens em sapiens, em yin yang um contendo o outro.
[...]
... é o paradoxo da riqueza, da prodigalidade, da infelicidade da felicidade do homo sapiens-demens

(O Método 5 - Humanidade da Humanidade p.140-1)

Seres humanos são tão complexos que são racionais e loucos ao mesmo tempo. São racionais e irracionais. Querem amar e não querem amar. Sentem amor e ódio pela mesma pessoa, no mesmo momento.
Por causa de o sapiens conter – no sentido matemático de conjunto - demens e demens conter – também no sentido matemático de conjunto – sapiens, é que não compreendo no homo.
Até compreendo quando ama e não quer amar. Isso porque amar requer entregar, é estar disposto a sofre, Nietzsche já percebeu isso. Logo, a pessoa não quer amar, mesmo assim ama.
Agora, como compreender amar e odiar ao mesmo tempo. Sentir afeto e raiva. Querer estar perto e querer estar longe? Que paradoxo terrível, somente sendo o homo complexus, mesmo! Eis a bipolaridade do espírito/mente!

A Todos os Homo Sapiens-Demens, Liberdade de Consciência!

Pierre Mattos

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Um Poesia para Relaxar!



Aí de Ti....


Prostituta,
Usurpadora,
Assassina!

Sim, és tu mesma!
Tu que usurpas a mente do outros,
Que sempre, desde que nascestes te prostituis,
E hoje, ainda, mata inocentes!
Mas, aí de ti se tocares naqueles
aqueles poucos que amo
e nos pouquíssimos que me amam.

Aí de ti, Babilônia, que te escondes por trás de Sião!
Mas comigo não! Não conseguiras nada!
E, ainda, lutarei contra ti.


Pierre Mattos

De Consciência Livre!