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quarta-feira, 13 de julho de 2011

DO SER ONÍRICO QUE SOU




Sonhamos,

sonhamos acordados,

sonhamos porque queremos,

sonhamos porque cremos,

sonhamos...

Ser onírico é relativo a ser humano, sonhar não é apenas estar dormindo e ter uma experiência de imaginação inconsciente.

Sonhar é viajar...

É crer em algo que consciente não era mais possível crer...

É conhecer uma pessoa,

E ver algo além...

Medo? Tenho! Não do sonho, mas de acordar dele. Que algo ou alguém desfaça o belo castelo criado a beira da praia.

Em meus sonhos, há sempre uma pessoa. Não sei se é você... Mas... Queria tanto que fosse! Queria tanto dizer: Sonhe, pois, é possível sonhos virarem realidade.

Já dizia uma mulher muito sabida da vida, Clarice Lispector:

Sonhe com aquilo que você quiser.
Seja o que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que se quer.

A todos liberdade de consciência, liberdade de sonhos!

Pierre Mattos

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Carta aberta da ABGLT às candidaturas de Dilma Roussef e José Serra

Com meu momento de insônia, fiquei passeando pela Internet, e em pleno pleito eleitoral o que não falta são textos políticos. Porém, este me chamou a atenção e devido buscar um laicismo da politica resolvi posta-lo para que mais pessoas tenham acesso.

Segue a Carta aberta da ABGLT às candidaturas de Dilma Roussef e José Serra

Prezada Dilma e Prezado Serra,

A Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais - ABGLT, é uma entidade que congrega 237 organizações da sociedade civil em todos Estados do Brasil. Tem como missão a promoção da cidadania e defesa dos direitos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, contribuindo para a construção de uma democracia sem quaisquer formas de discriminação, afirmando a livre orientação sexual e identidades de gênero.

Assim sendo, nos dirigimos a ambas as candidaturas à Presidência da República para pedir respeito: respeito à democracia, respeito à cidadania de todos e de todas, respeito à diversidade sexual, respeito à pluralidade cultural e religiosa.

Respeito aos direitos humanos e, principalmente, respeito à laicidade do Estado, à separação entre religião e esfera pública, e à garantia da divisão dos Poderes, de tal modo que o Executivo não interfira no Legislativo ou Judiciário, e vice-versa, conforme estabelece o artigo 2º da Constituição Federal: "São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário.

Nos últimos dias, temos assistido, perplexos, à instrumentalização de sentimentos religiosos e concepções moralistas na disputa eleitoral.

Não é aceitável que o preconceito, o machismo e a homofobia sejam estimulados por discursos de alguns grupos fundamentalistas e ganhem espaço privilegiado em plena campanha presidencial.

O Estado brasileiro é laico. O avanço da democracia brasileira é que tem nos permitido pautar, nos últimos anos, os direitos civis dos homossexuais e combater a homofobia. Também tem nos permitido realizar a promoção da autonomia das mulheres e combater o machismo, entre os demais avanços alcançados. O progresso não pode parar.

Por isso, causa extrema preocupação constatar a tentativa de utilização da fé de milhões de brasileiros e brasileiras para influir no resultado das eleições presidenciais que vivenciamos. Nos últimos dias, ficou clara a inescrupulosa disposição de determinados grupos conservadores da sociedade a disseminar o ódio na política em nome de supostos valores religiosos. Não podemos aceitar esta tentativa de utilização do medo como orientador de nossos processos políticos. Não podemos aceitar que nosso processo eleitoral seja confundido com uma escolha de posicionamentos religiosos de candidatos e eleitores. Não podemos aceitar que estimulem o ódio entre nosso povo.

O que o movimento LGBT e o movimento de mulheres defendem é apenas e tão somente o respeito à democracia, aos direitos civis, à autonomia individual. Queremos ter o direito à igualdade proclamada pela Constituição Federal, queremos ter nossos direitos civis, queremos o reconhecimento dos nossos direitos humanos. Nossa pauta passa, portanto, entre outras questões, pelo imediato reconhecimento da união estável entre pessoas do mesmo sexo e pela criminalização da discriminação e da violência homofóbica.

Cara Dilma e Caro Serra,

Por favor, voltem a conduzir o debate para o campo das ideias e do confronto programático, sem ataques pessoais, sem alimentar intrigas e boatos.

Nós da ABGLT sabemos que o núcleo das diferenças entre vocês (e entre PT e PSDB) não está na defesa dos direitos da população LGBT ou na visão de que o aborto é um problema de saúde pública.

Candidato Serra: o senhor, como ministro da saúde, implantou uma política progressista de combate à epidemia do HIV/Aids e normatizou o aborto legal no SUS. Aquele governo federal que o senhor integrou também elaborou os Programas Nacionais de Direitos Humanos I e II, que já contemplavam questões dos direitos humanos das pessoas LGBT. Como prefeito e governador, o senhor criou as Coordenadorias da Diversidade Sexual, esteve na Parada LGBT de São Paulo e apoiou diversas iniciativas em favor da população LGBT.

Candidata Dilma: a senhora ajudou a coordenar o governo que mais fez pela população LGBT, que criou o programa Brasil sem Homofobia, e o Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de LGBT, com diversas ações. A senhora assinou, junto com o presidente Lula, o decreto de Convocação da I Conferência LGBT do mundo. A senhora já disse, inúmeras vezes, que o aborto é uma questão de saúde pública e não uma questão de polícia.

Portanto, candidatos, não maculem suas biografias e trajetórias. Não neguem seu passado de luta contra o obscurantismo.

A ABGLT acredita na democracia, e num país onde caibam todos seus 190 milhões de habitantes e não apenas a parcela que quer impor suas ideias baseadas numa única visão de mundo. Vivemos num país da diversidade e da pluralidade.

É hora de retomar o debate de propostas para políticas de governo e de Estado, que possam contribuir para o avanço da nação brasileira, incluindo a segurança pública, a educação, a saúde, a cultura, o emprego, a distribuição de renda, a economia, o acesso a políticas públicas para todos e todas!

Eleições 2010, segundo turno, em 15 de outubro de 2010.

ABGLT - Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais

Espero que todos tenham aproveitado a leitura e Liberdade de Consciência!

Pense antes de Votar e Lembre-se POR ESTADO LAICO DE FATO

Pierre Mattos

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

O Beijo


…“ A boca não é apenas o que come, absorve, dá (salivar, lamber), é também a via de passagem do sopro, o qual corresponde a uma concepção antropológica da alma.

O Beijo na boca, que o Ocidente popularizou e mundializou, concentra e concretiza o encontro inaudito de todas as forças biológicas, eróticas, mitológicas da boca. Por um lado, o beijo que é um analagon da união física, do outro, a fusão de dois sopros que é uma fusão das almas.

A boca torna-se qualquer coisa absolutamente extraordinária, aberta sobre o mitológico e o fisiológico. Não esqueçamos que esta boca fala, e o que tem de muito belo é que as palavras de amor são seguidas de silêncios de amor.

(…)

Então o que é o Amor?

É o auge da união da loucura e da sabedoria.

Como esclarecer isto? É evidente que é o problema que enfrentamos na nossa vida, e não existe nenhuma chave que permita encontrar uma razão exterior ou superior. O amor traz, precisamente, esta contradição fundamental, esta co-presença da loucura e da sabedoria.”


Edgar Morin. Amor Poesia Sabedoria

Oh, que coisa boa essa união de almas.

A todos, Liberdade de Consciência!

Pierre Mattos

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Ainda bem que a ciência não é Dogmática!


A característica principal de um cientista – seja ele qualquer tipo de cientista, e ser quer ser chamado de cientista – para mim é saber/ser consciente de que a ciência é uma especulação/ um jogo de plausibilidade que hoje com determinadas informações concluímos X e que daqui a alguns anos talvez concluiremos Y. A pessoas que não tem consciência disto não pode ser chamado de cientista.

Imagina se a ciência fosse dogmática, formando verdades absolutas.

Agora observe o que diz Jens Otto Harry Jespersen, linguista dinamarquês que especializou-se na gramática da língua inglesa.

“Há uma expressão que continuamente me ocorre quando penso na língua inglesa e a comparo a outras: ela parece se positivamente e expressamente masculina, é uma língua de homem adulto e tem bem pouco de infantil e feminino.
Para evidenciar um desses elementos, seleciono ao acaso, para fins de contrate, uma passagem na língua do Havaí: ‘I kona hiki Ana aku ilaila ua hookipa ia La oia ke aloha pemehuana loa’. Assim ela prossegue, sem uma única palavra terminada em consoante e nunca encontramos duas ou mais consoantes agrupadas. Alguém pode ter dúvidas de que, mesmo que essa língua soe agradável e seja repleta de música e harmonia, a impressão geral é de uma língua infantil e efeminada? Não se espera muito vigor ou energia de um povo que fala uma língua assim; ela parece amoldar-se apenas a habitantes de regiões ensolaradas onde o solo requer pouquíssimo trabalho do homem que o cultiva para produzir tudo o que ele quiser, e portanto onde a vida não traz a marca de uma luta árdua contra a natureza e os semelhantes. Em menor grau, encontramos a mesma estrutura fonética em línguas como italiano e o espanhol; porém muito diferente são nossas línguas setentrionais.”

(JESPERSEN, Otto. 1938. Grouth and structure of English language. Oxford: Brasil Blackwell,p.2-3 trad. Laura T. Mota, retirado de PINK, Steven, 2002. Tábula rasa: a negação contemporânea da natureza humana. São Paulo: Companhia das Letras, p 34-35)

Se a ciência fosse um dogma ainda estaríamos pensando como o Jespersen ou como outros anteriores a ele e acreditando que os povos que tem uma língua mais ‘vogaizadas’ seriam malandros, de vida fácil, sem energia e ainda que a língua desses povos serem infantis e efeminadas. Quantos a língua infantil será que os povos que tem línguas com maior número de encontros consonantais são superiores ao outros?

Lembremos que os índios que habitavam aqui antes da chegada dos portugueses já sabiam o que fazer com os idosos e não havia desigualdade social entre eles e as sociedades com as línguas “maduras” ainda tem esses problemas, formando os seus guetos.

Ainda bem que outros linguistas perceberam e apontaram os erros de Otto Jespersen e assim a ciência e linguística evoluíram.

Vendo isso só digo: Ainda bem que a ciência não é dogmática!

A todos, Liberdade de Consciência!

Pierre Mattos