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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Caminhos Trilhados...











A aquele que caminhou comigo até à hora da decisão,

A aquele que passou por caminhos periféricos e espinhosos quando estava no centro,

A aquele que quando chegou a porta da cidade preparada desde a fundação de nossas existências,

A aquele que só faltou um passo, o de maior importância, o que romperia com tudo.

A aquele de quando se deparou com porta da cidade achou grandiosa demais para escalá-la e decidiu voltar.

Saibas que voltara não como eras, mas com experiências diferentes e saberás que nunca estarias, novamente, no marco zero, até mesmo, porque no caminho de volta viu coisas que eu não vi, pois fiquei e tentei escalar a porta da cidade. Viu os mortos que deixei para trás e os corpos que nem enterrei, viu a dor dos que ficaram vivos sofrendo com a morte dos entes queridos.

Desculpas, mas sou insensível, pois para eles estou morto, pois ao tentar atravessar a porta de tão grandiosa cidade, os que creram fizeram de mim um mito e os que não criam disseram que estava eu morto antes de chegar ao ponto no qual desejava.

Ficamos distantes, mas com momentos funestos em comum, que hoje paramos e discutimos.

Não posso julgar, pois não fiz o caminho de volta, e não podes me julgar, pois não sabes o que tem depois do portão que atravessei.

O que sabemos que dores, choros, alegrias e lagrimas e tudo mais tivemos e por isso paramos e tentamos mostrar ao outro o momento que foi perdido/não visto.

Querido, periferia por periferia, ai estamos.... Você de um lado e eu de outro, contudo, ambos em periferias, o centro não é nosso, passamos e não vimos naquele lugar de calmaria, somos ventos tempestuosos, demasiadamente agitados para ocupar lugares de tamanha ordem.

Te gosto muito...

Texto dedicado ao amigo Alessandro Marques (Guya)

Liberdade de Consciência!

Pierre Mattos

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Carta aberta da ABGLT às candidaturas de Dilma Roussef e José Serra

Com meu momento de insônia, fiquei passeando pela Internet, e em pleno pleito eleitoral o que não falta são textos políticos. Porém, este me chamou a atenção e devido buscar um laicismo da politica resolvi posta-lo para que mais pessoas tenham acesso.

Segue a Carta aberta da ABGLT às candidaturas de Dilma Roussef e José Serra

Prezada Dilma e Prezado Serra,

A Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais - ABGLT, é uma entidade que congrega 237 organizações da sociedade civil em todos Estados do Brasil. Tem como missão a promoção da cidadania e defesa dos direitos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, contribuindo para a construção de uma democracia sem quaisquer formas de discriminação, afirmando a livre orientação sexual e identidades de gênero.

Assim sendo, nos dirigimos a ambas as candidaturas à Presidência da República para pedir respeito: respeito à democracia, respeito à cidadania de todos e de todas, respeito à diversidade sexual, respeito à pluralidade cultural e religiosa.

Respeito aos direitos humanos e, principalmente, respeito à laicidade do Estado, à separação entre religião e esfera pública, e à garantia da divisão dos Poderes, de tal modo que o Executivo não interfira no Legislativo ou Judiciário, e vice-versa, conforme estabelece o artigo 2º da Constituição Federal: "São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário.

Nos últimos dias, temos assistido, perplexos, à instrumentalização de sentimentos religiosos e concepções moralistas na disputa eleitoral.

Não é aceitável que o preconceito, o machismo e a homofobia sejam estimulados por discursos de alguns grupos fundamentalistas e ganhem espaço privilegiado em plena campanha presidencial.

O Estado brasileiro é laico. O avanço da democracia brasileira é que tem nos permitido pautar, nos últimos anos, os direitos civis dos homossexuais e combater a homofobia. Também tem nos permitido realizar a promoção da autonomia das mulheres e combater o machismo, entre os demais avanços alcançados. O progresso não pode parar.

Por isso, causa extrema preocupação constatar a tentativa de utilização da fé de milhões de brasileiros e brasileiras para influir no resultado das eleições presidenciais que vivenciamos. Nos últimos dias, ficou clara a inescrupulosa disposição de determinados grupos conservadores da sociedade a disseminar o ódio na política em nome de supostos valores religiosos. Não podemos aceitar esta tentativa de utilização do medo como orientador de nossos processos políticos. Não podemos aceitar que nosso processo eleitoral seja confundido com uma escolha de posicionamentos religiosos de candidatos e eleitores. Não podemos aceitar que estimulem o ódio entre nosso povo.

O que o movimento LGBT e o movimento de mulheres defendem é apenas e tão somente o respeito à democracia, aos direitos civis, à autonomia individual. Queremos ter o direito à igualdade proclamada pela Constituição Federal, queremos ter nossos direitos civis, queremos o reconhecimento dos nossos direitos humanos. Nossa pauta passa, portanto, entre outras questões, pelo imediato reconhecimento da união estável entre pessoas do mesmo sexo e pela criminalização da discriminação e da violência homofóbica.

Cara Dilma e Caro Serra,

Por favor, voltem a conduzir o debate para o campo das ideias e do confronto programático, sem ataques pessoais, sem alimentar intrigas e boatos.

Nós da ABGLT sabemos que o núcleo das diferenças entre vocês (e entre PT e PSDB) não está na defesa dos direitos da população LGBT ou na visão de que o aborto é um problema de saúde pública.

Candidato Serra: o senhor, como ministro da saúde, implantou uma política progressista de combate à epidemia do HIV/Aids e normatizou o aborto legal no SUS. Aquele governo federal que o senhor integrou também elaborou os Programas Nacionais de Direitos Humanos I e II, que já contemplavam questões dos direitos humanos das pessoas LGBT. Como prefeito e governador, o senhor criou as Coordenadorias da Diversidade Sexual, esteve na Parada LGBT de São Paulo e apoiou diversas iniciativas em favor da população LGBT.

Candidata Dilma: a senhora ajudou a coordenar o governo que mais fez pela população LGBT, que criou o programa Brasil sem Homofobia, e o Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de LGBT, com diversas ações. A senhora assinou, junto com o presidente Lula, o decreto de Convocação da I Conferência LGBT do mundo. A senhora já disse, inúmeras vezes, que o aborto é uma questão de saúde pública e não uma questão de polícia.

Portanto, candidatos, não maculem suas biografias e trajetórias. Não neguem seu passado de luta contra o obscurantismo.

A ABGLT acredita na democracia, e num país onde caibam todos seus 190 milhões de habitantes e não apenas a parcela que quer impor suas ideias baseadas numa única visão de mundo. Vivemos num país da diversidade e da pluralidade.

É hora de retomar o debate de propostas para políticas de governo e de Estado, que possam contribuir para o avanço da nação brasileira, incluindo a segurança pública, a educação, a saúde, a cultura, o emprego, a distribuição de renda, a economia, o acesso a políticas públicas para todos e todas!

Eleições 2010, segundo turno, em 15 de outubro de 2010.

ABGLT - Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais

Espero que todos tenham aproveitado a leitura e Liberdade de Consciência!

Pense antes de Votar e Lembre-se POR ESTADO LAICO DE FATO

Pierre Mattos

domingo, 17 de maio de 2009

Ideologia? Eu quero uma prá viver?


Cazuza - Agenor de Miranda Araújo Neto - (04/04/1958 - 07/07/1990) considerado um dos melhores e mais importantes compositores da música brasileira. Uma de suas composições que mais se destacam é Ideologia uma música que em alguns momentos trás ditos de uma ideologia contra a ideologia vigente da época.

Vamos compreender melhor o que é Ideologia.

Há várias interpretações para a palavra ideologia, no sentido mais amplo é o conjunto de ideias, concepções, opiniões, crenças sobre alguns pontos sujeitos a discussão, bem como normas estabelecidas a partir de valores. A ideologia é uma teoria, uma organização sistemática dos conhecimentos destinados a orientar a pratica. Cada um tem uma ideologia que ajudar a decidir: onde estudar, que curso fazer, entre certo e errado, etc.

A ideologia é uma espécie de “cimento” que uni as pessoas de determinado grupo fazendo com que elas defendam interesses comuns e elaborarem projetos de ação.

Marx compreende que a ideologia é a representação ilusória da realidade porque o conjunto de ideias e normas de conduta veiculada leva os indivíduos a pensarem, sentirem e agirem de acordo com os interesses da classe que detém o poder, a ideologia camufla o conflito existente dentro de uma sociedade dividida.

Marx, ainda diz que as ideias decorrem da economia, ou seja, as ideias derivam das condições históricas reais ao serem estabelecidas nas relações de produção por meio da relação de divisão do trabalho, sendo assim toda atividade intelectual e todas as normas passam a ser compreendidas como derivações materiais de produção de existência.

A função da ideologia é ocultar as diferenças de classe, facilitar a continuidade da dominação de uma classe sobre a outra, assegurar a coesão entre indivíduos e a aceitação sem críticas de tarefas mais penosas e pouco recompensadoras, simplesmente como decorrentes da “ordem natural das coisas”.

As características básicas das ideologias são:

  • Abstração - o trabalho brutaliza, em vez de enobrecer.

  • Universalização - as ideias e os valores dos grupos dominantes são estendidos a todos.

  • Lacuna, vazios - o salário paga o trabalho, sendo que o retorno para o proprietário é maior e o empregado não vê esse retorno em seu salário. (o que Marx chama de Mais-Valia).

  • Inversãom - se uma pessoa não é bem sucedida no trabalho a culpa é de sua incapacidade, e não de seu condição saúde físico-mental e etc.

A ideologia naturaliza a realidade, ao esconder o fato de que a existência só é produzida pelo próprio ser humano e só pode ser alterada por ele.

Assim compreendemos o processo de alienação.

A palavra alienar vem do latim alienare, “afastar, distanciar, separar”. Alienus significa, “que pertence a outro, alheio, estranho.” Alienar é tornar alheio, é transferir para outro o que é seu. Quando em uma sociedade existem segmentos dominantes que exploram o trabalho humano – como nos regimes de escravidão, servidão – ou ainda, se para sobreviver, o individuo precisa vender sua força de trabalho em troca de um salário avitante, estamos diante de situações de perda da posse daquilo que ele produz - alienação.

Na música Cazuza diz que ele precisa de uma ideologia para viver, na verdade o que me parece que ele é apenas inverter a pirâmide, mas com isso continuaria o problema da opressão por parte de uma outra ideologia. Ao meu ver a solução para "aquele garoto que ia mudar o mundo" seria o discurso não-ideológico que deve contrapor uma critica que revele/denuncie a contradição interna, que se acha oculta que é causado pela ideologia.

Ideologia, não preciso dela prá viver!

A Todos, Liberdade de Consciência!

Pierre Mattos